Sunday, October 15, 2006

Café sem natas

Domingo ventoso, aéreo, daqueles em que se sua sem ser Verão e em que o ar incomoda, não por ser frio sem ser Inverno, mas nos tocar onde não deve.

Estou no Versailles, no Santa Cruz ou mesmo no Majestic. Refugiada talvez desta insensatez climática, ou da minha, talvez. Dos três não sei de qual mais gosto, não sei o que têm de igual, que nem mesmo eu, não sei se diferentes na sua semelhança.,se semelhantes na sua diferença. É isso, gosto e não sei se mais! Em todos estes anos podia ter entrado lá, pelo menos meia dúzia de vezes, ou até todos os dias, noutras. Embora não goste de café, nem de cafés. São para alguns como que um acessório, neste caso jóia nem sempre usado com muito bom-gosto.

Os meus cabelos doces de castanhos e fartos de tamanhos são outra fibra natural que me dá muito prazer desnudar. A pele, de linho que precisa de todo aquele ritual até ao branqueamento pois nunca fui de contrastes visíveis a olho nu, outra. Talvez, por isso, por estar rigorosamente descalça, sentindo a madeira do chão do meu quarto e o sol do meu principio de Outono. Talvez por ser Domingo e estar assim desnuda, com várias fibras de que são feitos os silêncios ternos dos domingos de manhã.

Quando mesmo sem o saber fazer, sinto que danço Quando a insensatez está apenas entre a temperatura do barómetro e a do termómetro. Quando anónima e sozinha me sinto áurea e desejada. Quando estar acompanhada é melhor que o desejo de o estar quando este já é bom. Quando o desajuste está entre o sal da torrada a estalar na boca e o açúcar do chá quente a percorrer o peito. Quando estar neste, naquele ou no outro guarda-jóias é sobretudo estar bem.

Talvez essa seja a razão. Nunca me vi com muitos ou mesmo alguns acessórios. Sempre gostei mais de me sentir desnuda e com algumas sedas, algodões ou lãs que o vento provoca nos momentos deliciosamente mais inoportunos.

Nenhuma das minhas cinturas usa acessórios, ou eu sempre quis que se adivinhassem sem qualquer tipo de sinalização. (Quando são necessários, ao condutor sinais corre-se o risco daqueles terem sido derrubados ou inapropriados e aí está o acidente.)

Nunca gostei de me ornamentar para ou com o café. Embora saiba, todos sabemos que há cada vez mais quem o faça. (Vejo o que sou ou sou o que vejo?) Independentemente dos novos adornos, como a net, creio que cada vez mais estas jóias são usadas por uns, procuradas por outros e religiosamente guardadas por tantos quantos podem ou sabem fazê-lo.